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fisioterapiapós-operatório cirurgias plásticasComo ter uma boa cicatrização? - Clínica de Fisioterapia Dra. Iranilda Moha - CDM

SEMPRE que acontece uma lesão acidental ou um ato cirúrgico, haverá uma cicatriz.

Sim, uma marca definitiva. Isso significa que aquele tecido NUNCA mais será igual antes.

No entanto, a QUALIDADE cicatriz pode variar muito de pessoa para pessoa e pode ficar imperceptível! Por isso, se você pretende fazer uma cirurgia plástica precisa ficar atenta a cicatrização.

Uma cicatriz de boa qualidade deve ter as seguintes características: ser fina, plana, sua coloração deve ser semelhante ao local em que está e ser QUASE imperceptível.

Já as cicatrizes patológicas são perceptíveis e interferem o convívio social. Basicamente existem dois tipos de cicatrizes patológicas (queloides e hipertróficas), porém há cicatrizes consideradas  inestéticas como alargadas, deprimidas, entre outras.

As cicatrizes patológicas podem causar dor importante e/ou coceira tão intensa e necessitam de tratamento. Já as cicatrizes inestéticas quase não apresentam sintomas físicos, no entanto, interferem no convívio social da pessoa, visto que de alguma forma apresenta algum preconceito em expor a aparência daquela cicatriz.

Fatores que interferem na cicatrização

Alguns fatores influenciam na cicatriz como a técnica cirúrgica, a habilidade do cirurgião,  a localização no corpo, o sentido em relação a linhas naturais da pele, o comprimento, a largura, a profundidade, o formato do corte e sutura, assim como as características genéticas de cada indivíduo, estado nutricional e maus hábitos como o tabagismo.

Como exemplo, pacientes com cor de pele escura ou de origem oriental são mais propensos a desenvolver cicatrizes patológicas e, em contrapartida, pacientes idosos possuem maior chance de terem cicatrizes finas e inestéticas.

Mas, calma, se você tem vontade de realizar uma cirurgia plástica e é portador(a) de queloide ou já teve essas cicatrizes patológicas no passado, mantenha o ânimo.

A prevenção tem sido possível, visto que conseguimos prever o risco potencial de desenvolvimento de uma cicatriz patológica ou inestética, considerando os fatores antes citados, e agir para favorecer uma melhor evolução cicatricial. Para que isso aconteça, o cirurgião plástico deve realizar o melhor planejamento possível como examinar o tipo de pele, os antecedentes cirúrgicos.

Além disso, o cuidado no pós-operatório com profissionais habilitados fará toda a diferença.

Fases teciduais da cicatrização

A primeira fase é a inflamatória, inicia no momento do ato cirúrgico e pode perdurar até 4 a 6 dias.

A preocupação do organismo está em estancar o sangue, recrutar células de defesa para remover os restos de células e resíduos dessa lesão, além de promover o reequilíbrio do organismo (homeostasia). Assim, essa fase é constituída por etapas denominadas como hemostasia, fagocitose e migração celular.

Sem dúvida, a fase inflamatória é uma das mais importantes, visto que quando essa resposta não é bem conduzida, pode levar a destruição de tecidos e intercorrências.

Nesse período ocorre a vasocontrição seguida da vasodilatação, onde muitas citocinas pró-inflamatórias secretam células inflamatórias como TGF-1 e IL-13 que são fibrinogênicos (proteína, um fator de coagulação, essencial para a formulação do coagulo para sessar o sangramento), fenômeno conhecido como agregação plaquetária.

Sabe que nessa etapa ocorre um influxo de células de defesa como neutrófilos, macrófagos e linfócitos para o local de lesão. Como essas células estão no vaso sanguíneo, precisam “sair” do vaso por meio de poros e migrar para o local do corte.

Nesse processo, acontece um aumento do extravasamento de líquido, o plasma (parte líquida do sangue), ficando mais líquido retido entre as células que o habitual. Esse é um dos motivos que a pessoa fica inchada na primeira e segunda semana da cirurgia.

Diante do inchaço comum nessa fase, os cirurgiões mais modernos solicitam a drenagem linfática manual como parte do tratamento, após cirurgias grandes como lipoaspiração e abdominoplastia, além dos fármacos anti-inflamatórios.

A inflamação aguda é a primeira etapa do processo de cicatrização, é constituída por hemostasia, fagocitose e migração celular. Ademais, está associada ao estresse oxidativo e capacidade antioxidante reduzida.

A elevação da pele por um período variável e transitório pode afetar a circulação sanguínea culminando em necrose da área isquêmica e se perdurar por muito tempo ocorre morte tecidual.

Esse dano tecidual deve se a reperfusão quando o oxigênio retorna aos tecidos com níveis críticos de energia, e isso favorece a produção de radicais livres de oxigênio. Mas, calma! O nosso próprio organismo tem um mecanismo de proteção chamado de antioxidante (constituído pela parte enzimática e não enzimática que será discutida adiante).

Embora o organismo tenha um mecanismo natural antioxidante, quando os produtos dessa reação inflamatória são maiores, ocorre um desequilíbrio e favorece o surgimento do estresse oxidativo, o que danifica a membrana celular e prejudica a recuperação tecidual.

Por isso, que imediatamente após a cirurgia pode ser associado técnicas fisioterapêuticas como o laser de baixa intensidade aplicado a irradiação no local ou de forma sistêmica pela técnica irradiação intravenosa do sangue com o laser (ILIB).

Em relação a nutrientes, nos primeiros dias de pós-operatório é necessário vitamina K como óleos vegetais, vegetais com folhas escuras como brócolis, couve, espinafre, salsa, agrião. O cuidado com a dieta associado a reabilitação fisioterapêutica (drenagens linfáticas e laserterapia), podem otimizar os resultados e evitar intercorrências.

Fase proliferativa

A segunda fase é chamada de proliferativa, didaticamente inicia no terceiro dia e dura algumas semanas. A partir do 4 dia, inicia a fase proliferativa que abrange a granulação, o influxo de fibroblastos e queratinócitos, reepitelização, formação de capilares e produção de matriz extracelular.

As células de defesa atuam no primeiro momento, porém são substituídas por outras que vão preencher o local, dando forma e função ao tecido até formar a cicatriz. Esse tecido cicatricial é composto por fibras de colágeno e elastina, por isso, a pessoa vai desinchando com o passar dos dias e vai ficando mais “dura”, “firme”a região. Esse processo é natural, no entanto, se for em excesso a produção de tecido cicatricial pode formar as fibroses.

Para evitar essa formação de tecido cicatricial em excesso, a dieta alimentar pode contribuir além das drenagens linfáticas. Nesta etapa ocorre a granulação ou fibroplasia, sendo que nesse período os nutrientes necessários são diferentes da fase inflamatória.

A pessoa necessita de carboidratos, proteínas, lipídios, vitaminas A, C e do complexo B, ferro, zinco e magnésio, visto que estes alimentos aumentam a proliferação de células, síntese de colágeno e formação de novos vasos sanguíneos e linfáticos (neovascularização).

Diante do exposto, após o 4 dia de pós-operatório, a pessoa deve ingerir alimentos, tais como: carne de boi assada, amêndoa, amendoim, castanha-do-pará, frango cozido, brócolis, espinafre, quinoa, chocolate amargo, abacate, cenoura, couve, salsa, mamão, goiaba, arroz, feijão.

A fase de maturação pode estender-se até 2 anos após a cirurgia e tem a finalidade de estabilização do colágeno e aumento da resistência da cicatriz. Essa última fase  remodelação é dependente do equilíbrio entre síntese e degradação do colágeno.

Diante disso, a nutrição é um fator chave para um pós-operatório bem sucedido, visto que muitos nutrientes podem influenciar nessas fases de cicatrização. Nesse sentido, a nutrição antes e após a cirurgia pode fazer a diferença. Por isso, a pessoa deve evitar dietas radicais, muito restritivas tanto antes quanto depois, visto que a deficiência de proteínas pode interferir na síntese de colágeno, proliferação de fibroblastos, diminuição da angiogênse e redução de proteoglicanos. Já a deficiência de carboidratos leva ao catabolismo proteico. Por fim, o déficit de vitaminas e minerais, como exemplos vitamina A, tiamina, vitamina C e zinco, prejudicam a cicatrização. Como exemplo, a deficiência de nutrientes como zinco, selênio e vitamina B6 alteram a imunidade e a proteção do hospedeiro, o que eleva o risco de infecções no pós operatório.

O estado nutricional deve estar em equilíbrio, as vitaminas A, C e E, possuem funções antioxidantes e atuam no metabolismo celular, sendo que somente a vitamina E é comprovadamente um reforço ao sistema imune. Porém, altas doses das vitaminas B1, B2, B6, folato e niacina podem prejudicar o sistema imunológico e a suplementação acima de 800 mg/dia de vitamina E ou maior do que 100 mg/ dia de zinco parecem não apresentar benefícios.

Assim, a cicatrização vai além do que podemos ver e sentir. Existem mudanças nos tecidos conforme as fases teciduais do reparo (inflamatória, proliferação e remodelação). Sendo assim, o pós-operatório é tão importante quanto a própria cirurgia e deve ser conduzida por profissional que saiba identificar cada fase e conduzir para uma boa cicatrização.

A fisioterapeuta mestra Iranilda Moha Hoss e sua equipe pode te ajudar no seu pós-operatório de cirurgias plásticas.

 

 

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